tordo e os miseráveis

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Afinal, Fernando Tordo é milionário. Quem o dá a entender é o "i", em parangonas da primeira página com "o melhor design da Península Ibérica". Segundo o jornal, Tordo terá recebido mais de 200.000 euros do Estado desde 2008. E as gentes predispostas a engolir venenos pensam: "grande malandro, a queixar-se e, afinal, recebe subsídios do Estado. A propósito de quê?"

Quem não se der ao trabalho de ler a notícia e se ficar pela manchete, restar-lhe-á espalhar o veneno pelo facebook, pelo twitter, pelos emails ditos virais.

Se ler a notícia, o caso muda de figura. Os tais "mais de 200.000 euros", 207.100 para ser exacto, não lhe foram oferecidos, de mão beijada, por um Estado perdulário. Foram-lhe pagos, principalmente por Câmaras, pelo seu trabalho ao longo de seis anos de concertos pelo País.

Mesmo que tivesse ficado com os 207.100 euros todos para si, Tordo receberia, nesse total de 72 meses, 2.876,39 euros por mês, acrescidos dos tais 200 euros que recebe de reforma. Uma fartura, já se vê, uma verdadeira fortuna para um artista com mais de 40 anos de carreira! 

Para este governo, quem receba mais de 600 euros é remediado e mais de 1.000 euros é rico. Logo, Tordo é milionário. Tordo não tem razão em queixar-se. Tordo é um passarão a precisar que lhe cortem as asas. Tordo é torto. Tordo é mau.

Mas não fiquemos por aqui em matéria de contas: desses 2.876,39 euros, há que deduzir os impostos, os custos das deslocações pelo País, o pagamento de honorários aos músicos e aos técnicos de som e de luz que com ele trabalham.

Para os pobres deste País - os que ganham 10, 20, 30, 40.000 euros ou mais por mês, os que se recusam a subir o salário mínimo, os que acham que um ordenado de 600 euros é mais do que justo para um recém-licenciado - Tordo não tem razões de queixa. Tordo chora-se mas mama. Tordo não se solidariza com os sacrifícios que os portugueses, os estóicos burros de carga, estão a fazer para salvar a economia, as finanças e a peidola gorda dos barões assinalados.

Tordo recusa-se a dar um cêntimo mais que seja para o peditório dos miseráveis. Não se faz. Retire-se a nacionalidade portuguesa a Tordo, recuse-se-lhe a entrada em Portugal. Não precisamos cá de gente assim. Temos Coelho, temos Portas, temos Montenegros, temos Catorgas, temos Mexias, temos Cavacos, temos Albuquerques, temos Ulriches, temos Soares dos Santos, temos Duartes Limas, temos Oliveiras e Costas, temos Dias Loureiros, temos Esteves e Cristas, Motas Soares e Cratos, Macedos e outros cavalheiros. Já estamos bem servidos. Olha Tordos p'ra nós!

Comentários

Anónimo disse…
SUBSCREVO TODAS AS PALAVRAS. TODAS!
Um abraço
Maria Viana

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