estado de guerra

Por Tomás Vasques

Por cá, o nosso primeiro-ministro, uma espécie de duquesa de Mântua da senhora Merkel, não se fez rogado: chamou, em segredo, os “técnicos” do FMI para “refundarem” o Estado.


“Não se pode pedir mais a este povo que já deu tudo o que tinha a dar” – disse o presidente grego, no discurso do dia nacional da Grécia, país onde nem as escolas funcionam por falta de aquecimento. No entanto, dias depois, foi imposto o centésimo pacote de austeridade ao povo grego. “E continuam vivos” – os gregos – disse por cá o presidente de um banco, ao fundamentar que os portugueses ainda “aguentam” muito mais privações do que todas aquelas a que já foram sujeitos nos últimos dois anos. E “aguentam” ainda uma significativa subida do desemprego, tal como os gregos que já ultrapassaram os 20% – acrescentou o banqueiro. Em Espanha, o desemprego já ultrapassou um quarto da população activa e, entre os jovens, já atingiu os 55%. As recentes medidas de austeridade aplicadas no país vizinho fazem adivinhar o pior desastre social na terceira maior economia da Zona Euro. Esta razia, este empobrecimento acelerado dos povos europeus, sobretudo dos países do Sul da Europa, é ditado por uma agenda ideológica neoliberal e pela estratégia de domínio político, económico e financeiro da potência que, de novo, domina a Europa – a Alemanha. E o empobrecimento dos povos europeus, segundo os seus ideólogos e defensores, ainda está no começo. Como ontem informou a chanceler alemã, num congresso regional do seu partido, a Europa será sujeita a “mais austeridade nos próximos 5 anos”. Por cá, o nosso primeiro-ministro, uma espécie de duquesa de Mântua da senhora Merkel, não se fez rogado: chamou, em segredo, os “técnicos” do FMI, especialistas em empobrecimento, para “refundarem” o Estado, ou seja, destruir tudo o que for possível destruir na Saúde, Educação e na Segurança Social, pelo menos. O objectivo é, como revelou o desbocado Van Zeller, numa entrevista televisiva, nos próximos anos privatizar tudo, a começar pelos hospitais públicos e pela segurança social. O orçamento de Estado para 2013, aprovado na generalidade, e a “refundação em curso” são apenas instrumentos da planeada estratégia alemã – Estado mínimo, elevado desemprego, mão-de-obra barata, miséria a rodos. Depois de cinquenta anos de “construção europeia”, aproximamo-nos a passos largos da profunda pobreza resultante das “economias de guerra”, que a Europa conheceu, mais do que uma vez, nos últimos dois séculos.

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