nós na rua para os meter na rua

Não podemos deixar que nos matem, nos roubem esta felicidade de estarmos vivos e juntos, não podemos adiar a nossa vida, não queremos esta vida assim, queremos apenas ser amigos uns dos outros — e livremente pensarmos e livremente viver. É difícil. Mas queremos, e assim faremos tudo para deitar abaixo quem nos impede a vida e essa coisa a que chamamos amor.
Jorge de Silva Melo

Nós somos «a esperança que não fica à espera».
Quem pode ser no mundo tão quieto
Que o não movem nem o clamor do dia
Nem a cólera dos homens desabitados
Nem o diamante da noite que se estilhaça e voa
Nem a ira, o grito ininterrupto e suspenso
Que golpeia aqueles a quem a voz cegaram
Quem pode ser no mundo tão quieto
Que o não mova o próprio mundo nele.
Manuel Gusmão

Quantos Jardins, quantos Loureiros serão ainda necessários para que isto rebente e o país finalmente aprenda todos os velhos cantos das novas lutas, e a gente acorde finalmente por nós próprios, sem que ninguém nos mande? Quem precisa de acordar é o povo. Esse é que anda adormecido.
Pedro Barroso

Com o aumentar da miséria e da violência, o seu território principal é a rua. Quanto mais tarde tomarmos as ruas para fazer esta batalha, mais difícil será o nosso futuro. É preciso unir esforços. Multiplicar activistas, reforçar as ligações, construir pontes e aumentar a militância combativa para fazer frente a todos os ataques. Juntar cidadãos, movimentos e partidos que não acreditam que nos devamos restringir a pregar por uma exploração mais fofinha. Juntar quem se opõe às políticas da troika e todos os que se declaram intransigentes na defesa da liberdade, igualdade e democracia. Juntar quem está disponível para o choque e para o confronto. Juntar para lutar, resistir e construir uma democracia plena. Tomemos as ruas. Rompamos o silêncio.
Tiago Mota Saraiva

Vivemos tempos difíceis, todos sabemos, e que continuam os abusos de poder também sabemos, que é uma injustiça diária o que vemos nas notícias, todos também sabemos. Por toda esta situação que tanto nos revolta, devemos gritar bem alto que BASTA, que JÁ CHEGA, que JÁ NÃO TOLERAMOS MAIS. Nestes tempos, como noutros, a nossa voz tem de ser ouvida. Podemos pensar que não serve para nada, mas serve. Sou da opinião que eles estremecem de cada vez que saímos à rua, e eles não conseguem controlar ou atribuir a uma força política a reunião de tantas pessoas descontentes É a arma que temos, sair à rua e GRITAR JÁ CHEGA!
Zé Pedro (Xutos & Pontapés)

As manifestações são historicamente formas de «votar com os pés». Esta particularmente surge num momento em que a dívida pública se tornou um garrote sobre a vida de quem trabalha. Apoio-a pela suspensão do pagamento da dívida, que é uma renda privada, e a reboque da qual se está a destruir o Estado Social.
Raquel Varela

A manifestação de 15 de Setembro de 2012 mostrou com clareza a importância das manifestações de massas, abertas e apartidárias e, no contexto agravado pelo anúncio da medida da TSU, desempenhou um papel decisivo no recuo do governo nessa altura. Mas o governo tem vários outros recursos e, com algum cinismo pelo meio, pôs em prática novas medidas que acabam por conduzir, no essencial, ao mesmo projecto político de fundo em curso: a transferência de dinheiro dos mais pobres para o pequeno grupo dos mais ricos. Passa pelo empobrecimento generalizado das populações, por cargas brutais de impostos sobre a classe média e pensionistas, mesmo os de mais baixos rendimentos, e por um claro favorecimento dos bancos e grupos financeiros, locais ou globais. Este projecto global, que esmaga os vários países do Sul da Europa, sob a orientação dos países ricos do Norte e as suas instituições financeiras associadas às políticas neoliberais (que se transferiram parcialmente dos EUA para a Europa) deve ser combatido. As suas consequências são já devastadoras e serão difíceis de recuperar face ao enorme grau do retrocesso. A crise-pretexto aumenta as desigualdades, a pobreza, a dificuldade de viver com a mínima decência e dignidade para muitas pessoas, quebrou o contrato social e as bases de um Estado Social que caminhe na direcção da justiça e da igualdade. É um projecto político que divide a própria base social de apoio dos partidos do governo, capturados por um grupo radical de direita ultra-liberal na ideologia, interesseiro nos negócios e mesmo imoral na forma como trata os mais deserdados do mundo.
António Pinho Vargas

Textos recolhidos em: http://queselixeatroika15setembro.blogspot.pt

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