a grande vitória PSD/CDS


Não sendo exactamente um indefectível admirador de Sócrates, cuja acção governativa tantas vezes reprovei por aqui, não acolhi nunca nem fiz ressonância dos "escândalos" que se criaram à sua volta, desde os rumores de que tinha juntado os trapinhos com um conhecido actor da nossa praça, fama de que nunca se livrou, até às acusações nunca provadas no caso Freeport.

Tenho para mim, e cada um é livre de pensar o que quiser, que, paulatinamente, sabiamente, com científico rigor, os seus inimigos políticos lhe souberam fazer a cama ao longo dos tempos.

Tal como estou ciente de quão glorioso foi o dia de ontem para as hostes do PSD/CDS. Nada poderia ter dado tanto jeito à até aqui depauperada turba de direitíssimos como a prisão de Sócrates. A vitória nas próximas eleições está cada vez menos distante, a meta parece cada vez menos inatingível. Depois da governação selvagem, é essa a palavra, em nome de um capitalismo não menos selvagem, dos sacrifícios, das mentiras, das artimanhas, dos cortes e dos roubos, eis que uma luz tremelica, bruxuleia ao fim do túnel onde o PSD/CDS de bom grado nos enfiou.

Acho por isso totalmente despropositados os elogios que ontem foram feitos, por muitos comentadores, à contenção, à sobriedade com que a classe política reagiu à prisão de Sócrates. Porque Sócrates, que até agora já era o culpado pela crise, a bancarrota, a derrocada financeira dos grandes bancos, a gestão europeia, imperial e fria, de Merkel, a pusilanimidade de Barroso, a voracidade dos mercados, vai ser agora a melhor arma de arremesso com que o PSD/CDS poderia sonhar contra António Costa e contra o PS.

Não votarei PS. A não ser que entretanto fique balhelhas ou se tal for necessário, em últimas instâncias, para ajudar a suster o avanço da actual ditadura, porque de ditadura se trata. Mas, devo confessar, nesta matéria serei sempre solidário com Costa e condenarei os linchamentos na praça pública, os oportunismos políticos, as cabalas e os cambalachos de uma casta política que não me merece a mínima confiança. Cheira a azedo. Sabe a mijo em vez de mosto.

Comentários

Eu também não e fui uma mulher que muitas cartas lhe escreveu a atenção para a sua má governação. Mas acho que alguma coisa grave está a acontecer a este País e a este povo, na hora senti satisfação mas depois perguntava-me porque é que estava tudo à espera no aeroporto e porque é que há fugas de informação.
Temos de estar cada vez mais atentos. O fascismo espreita a toda a esquina.
Porquê só agora e assim?
Eu estou preocupada em ter de aguentar mais quatro anos com estes monstros.
Porque é isso que está perfilhado para acontecer.
Beijinhos Manuel

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