a troika

Por Luís Meneses Leitão
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A troika transformou-se no eixo à volta do qual gravita toda a política portuguesa. O governo afadiga-se para não ter uma má avaliação da troika, mostrando uma subserviência constante perante as suas imposições, por mais disparatadas que elas sejam. O líder da oposição escreve cartas à troika a pedir a vinda dos seus responsáveis políticos, mas depois aceita reunir- -se com simples técnicos. E o povo engrossa as ruas numa manifestação a pedir que se lixe a troika. Quanto aos técnicos da troika, encararam a manifestação com a mesma displicência com que tratam os políticos portugueses, limitando-se a mudar de local de trabalho para não serem incomodados. Para eles, quem tem de se lixar são os portugueses.

Os técnicos da troika podem fazer isso porque não vão a eleições, mas os seus paus mandados irão. E os exemplos de Papandreou e Monti cá estão para mostrar o descalabro eleitoral em que os seus apoiantes podem cair, com o risco de entregar os países a partidos com a consistência política de um Movimento 5 Estrelas ou com o extremismo radical de uma Aurora Dourada. Por isso, quando vemos um ministro das Finanças, que errou sistematicamente as suas previsões, limitar-se ao discurso patético de que Portugal aguenta todas as tormentas porque é um país de marinheiros, podemos apostar que este navio vai acabar é no fundo do mar. E para evitar isso, ou se muda de rumo, ou se tem uma revolta a bordo.

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