podres de ricos, os pobres

Claro que não gosto que um governo, abusivamente, selvaticamente, roube salários e pensões ou suba impostos como lhe dá na real gana, sempre que lhe dá na real gana, quando gasta os nossos carcanhóis mal gastos e precisa de mais para sustentar vícios privados. Mas caiu mal a acção dos Reformados Indignados. Numa altura destas, em que  os outros reformados (a imensa maioria) não têm dinheiro para os medicamentos, em que os desempregados não conseguem alimentar os filhos, em que os portugueses que encontram trabalho se sujeitam a salários cada vez mais miseráveis, em que a pobreza e o suicídio aumentam assustadoramente, estes senhores deviam ter o bom senso de não tornar públicas as suas reivindicações.

Queixam-se eles, com o grande alarido que as televisões acorrem a ouvir diligentemente, que há pessoas que tinham 40.000 euros mensais de reforma e que, agora, com os cortes, ficam só com 10.000 euros. Esquecem-se, com o egoísmo e a rapacidade por que devem ter pautado as suas vidas, que há milhares de reformados com pensões de 200, 300 e 400 euros. 

Defendo que cada um tem o direito de receber uma reforma correspondente aos descontos que o Estado lhe fez para esse efeito. Mas ... 40.000 euros por mês não serão um exagero? As contas estarão bem feitas? 

Ao meter a boca no trombone, vindo para a praça pública armados em revolucionários (em causa própria, está bom de ver), os pobres dos ricos mais não fizeram do que chamar a atenção para as suas elevadíssimas pensões. Um governo justo revê-las-ia. Em baixa. Em nome da sustentabilidade da Segurança Social. Em nome da equidade. Em nome da decência, da moral, dos bons costumes. Porque 40.000 euros não são uma pensão, são pornografia.

Aqui fica um vídeo com o meu herói do dia, que pôs o dedo na ferida gangrenada. Grande homem!

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