o admirável 2040

Por Viriato Soromenho-Marques
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O secretário de Estado do Orçamento veio tranquilizar a nação. Portugal irá regressar ao redil das boas finanças públicas, em 2040! Afinal, são só mais 27 anos de austeras correntes nos tornozelos, e depois o Sol voltará a brilhar com uma dívida pública abaixo dos 60% do PIB, como manda a lei. Só ficou por explicar como é que um país que tem perto de 20% da sua população abaixo do limiar da pobreza, e 43% em risco de nela cair se as prestações sociais forem interrompidas, irá aguentar 27 anos de apneia económica. Este Governo dominado por economistas que não conseguem acertar em nenhum indicador, e que falham todas as previsões, é uma caricatura dos ideólogos que criaram a tragédia que está a envenenar os alicerces da União Europeia. Trata-se de uma aliança de aparelhos partidários, dominados por arrivistas e aventureiros, que abusaram do monopólio da representação que as constituições lhes concedem, com burocratas medíocres mas insuflados de pretensões académicas. Os veteranos - como o atual ministro das Finanças, ou o anterior governador do Banco de Portugal (promovido a n.º 2 do BCE, depois do seu desastre como supervisor nacional, numa distorção grosseira do conceito de mérito) - são cúmplices do pequeno grupo de "engenheiros" falhados desta união monetária - sem orçamento, sem governo, sem um verdadeiro banco central - que nos lançou no abismo dos "mercados autorregulados". A sua incompetência criou a crise, de que, sem vergonha, querem agora ser os redentores. Depois de nos terem imposto o seu delírio conceptual, promovem agora a alucinação coletiva. Querem que vislumbremos luzes providenciais em 2040. Como se fossem pequenos deuses, senhores do tempo. Donos daquilo que não lhes pertence. Do tempo que lhes escapa debaixo dos pés.

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