pelos cornos da desgraça


Cavaco chama masoquistas aos que dizem não ser sustentável a dívida portuguesa, ela é sustentável desde que o vulgo a pague até à miséria final. Passos, esse, coitadito, não dorme de tão angustiado que anda com a dívida e com a execução orçamental. O PSD quer expulsar os militantes que apoiaram outras listas que não as do partido e Capucho é um dos visados, qualquer dia até lhe chamam o Capucho vermelho. Em Sintra, Basílio Horta alia-se ao PSD para formar maioria absoluta, a antevisão da fantochada que nos espera quando Seguro chegar ao poleiro que tanto quer, foi para isso que foi jotinha toda a vida. Os papéis dos swaps afinal não foram perdidos nem surripiados, parece que estavam era mal arquivados. O governo, premiando os incumpridores em vez das mulas de carga que pagam ao fisco o que o fisco lhes confisca, concede amnistia fiscal a quem tem dívidas às Finanças. A PT passa para mãos estrangeiras e os economistas-comentadores não escondem a baba do deleite nem o ranho da comoção. A troika, de visita à colónia periférica, não cede "nem um milímetro" nas exigências de austeridade e roubo. 

Tudo isto se lê nas gordas dos jornais numa única manhã. E o martirizado leitor, sem comprar o jornal que o tempo não está para luxos, lá vai, acabrunhado, à sua vida, à espera de mais cortes extraordinários, impostos extraordinários, extraordinárias patifarias de um governo ordinário, o pior de Abril para cá, quem nos acaba o resto que amanhã não há.

Nesta tourada nacional, meus amigos, em boa verdade vos digo, não adianta fazermos pegas. Nem de caras nem de cernelha. Muito menos chicuelinas ou verónicas. Os cornos do touro atingem-nos por todos os lados.  Na carteira, no orgulho, no estômago de muitos, na saúde de tantos. E outros, mais do que se fala, já pagam as cornadas com a vida.


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