expresso



Por Pedro Vieira

quando era miúdo costumava ir apanhar a camioneta à rua casal ribeiro para ir à terra, leia-se braga, com o propósito de visitar e mimar a minha avó há muito desaparecida, e o uso recorrente da rodoviária nacional tinha a ver sobretudo com a inexistência de uma ligação ferroviária directa, as que existiam implicavam sempre uma mudança em campanhã e quase sempre uma segunda mudança em nine, algures ao largo de famalicão, uma canseira de malas e alterações de agulha, acontece que do nosso pequeno núcleo familiar só o meu pai não ficava mareado com as viagens rodoviárias cujo arranque a partir de uma garagem instalada numa cave inundada de cheiro a gasóleo nunca prenunciava nada de bom, benditos sacos de plástico, bendito comprimido para o enjoo que trouxe a revolução, um milagre em forma de paz e de sono na era pré-auto-estrada, pré-autopullman, um comprimido que respiguei do arquivo mental hoje mesmo, depois de me confrontar com a reportagem de capa da revista do expresso, a Revista, que me deu alguma vontade de vomitar sem sair do sítio, sou assim, impressionável, o único consolo é que não fui eu que paguei o bilhete de 3 euros para entrar nesta viagem de obsolescência mental aliada a uma insensibilidade social de gente chique nesta loja de porcelana aos pedaços que é portugal, e atenção, há coisas que eu aprecio no jornal, as crónicas do daniel oliveira, os desmandos do luis pedro nunes, as alfinetadas da ana cristina leonardo, os preâmbulos que transpiram classe do pedro mexia que me obrigam muitas vezes a consultar a enciclopédia britânica, vulgo wikipedia, também saboreio a espaços a pluma caprichosa e algumas crónicas escritas no táxi do miguel sousa tavares e invejo o amor pelos livros do josé mário silva e invejo o talento do cartoonista antónio. acontece que me subiu o pequeno-almoço à garganta, agora é respirar fundo, esperar que passe, e em caso de emergência dar uma corrida até à farmácia para gastar os 600 escudos poupados em embalagens de enjomin. parece que nunca falha.

Numa festa na Comporta.

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