na cabeça de um tinhoso


Era o que dizia a minha mãe quando lhe escasseava a cheta para alimentar a vasta prole, "tenho que arranjar dinheiro nem que seja na cabeça de um tinhoso".

Os tinhosos, agora, somos todos nós, os empregados, os desempregados, os velhos, viúvos ou não, os estudantes, os doentes, tantas cabeças de gado, ainda por cima, ao que parece, tinhosas, só podem dar uma boa maquia para pagar aos mercados, para sustentar os desgovernados, para engordar a chulice pátria e apátrida de aquém e além-mar.

Disse o engomadinho, Nuno Melo, que o governo de Sócrates foi pior do que os governos de Salazar. Tenho contas a ajustar com Sócrates, oh se tenho!, mas Nuno Melo, o engravatadinho, o aprumadinho, o lavadinho, ou estava com os uísques ou o haxixe deu-lhe forte e feio. Então e o Passos? Então e o apaniguado Portas? E então as falcatruas, as mentiras, o desplante, a prepotência, a pesporrência, a indecência reinante, os roubos constantes aos tinhosos da Nação? 

Ah! Já sei! São actos patrióticos. São deveres de estadistas de corpo inteiro e alma desfeita entre fumos de enxofre e ideais de pobreza. Para que a riqueza vingue. Se vingue dos exageros de Abril.

Passos odeia-nos. Despreza-nos. Portas serve-se de nós como de um vaso de noite. Albuquerque, Machete, Maduro, Macedos são cavaleiros do apocalipse, apóstolos apostados na nossa desgraça.

E, do alto da sua torre de marfim, Cavaco, a aparição de Belém, o avejão da República, nada diz e nada faz. Deixa que nos roubem, que se perpetuem as sevícias que já duram há dois longos anos que mais parecem cem anos de podridão.

Só descanso, palavra de honra que só descanso, quando vierem as carpideiras chorar pelo ruim defunto, este governo de taberna onde se bebe fiado e se joga, a dinheiro, com as vidas de cada um.

Até lá, têm que me aturar. Como dizia o outro, vou andar por aí. Por pontes e vales. Vale tudo contra quem se vale de tudo. 

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