oh tempo, volta pr'a trás

PASSOS COELHO: FASCIZANTE

Por Samuel
http://samuel-cantigueiro.blogspot.pt/

Felizes motivos de ordem particular impediram-me de seguir em directo a mais recente entrevista de Pedro Passos Coelho. De qualquer modo, dado o burburinho que a entrevista provocou, lá fui tratar de ver a coisa.

Como a TVI faz parte dos canais que, neste serviço da ZON, é possível fazer “andar para trás” até se encontrar o programa que não se viu, tratei de seguir os procedimentos indicados para o efeito... e záz!!!

- Porra! – pensei eu – Andei para trás demais!

Palavra d’honra que até me pareceu que a imagem ficou a preto e branco e o televisor mudou de aspecto... e juro que o som parecia de um discurso de um qualquer ministro de Salazar ou Caetano... mas não!

Passado o segundo choque (o primeiro foi o penteado “demente” da entrevistadora) lá estava ele. 

Tratava-se de facto do parasita inútil (sim, existem parasitas úteis!) que temos a fazer de primeiro-ministro.
Compreendi imediatamente muitas das reacções que fui lendo a esta miserável entrevista de Pedro Passos Coelho, mas um pormenor destacou-se, nojento, criminoso, fascizante: a possibilidade de introduzir propinas no ensino secundário obrigatório. Possibilidade entretanto já seguida do costumeiro "desmentido esfarrapado".

Será que alguém vai conseguir explicar tim tim por tim tim, independentemente de isso ser constitucional, ou, pelo contrário, manifestamente anticonstitucional, como é que famílias esmagadas pela carga fiscal presente, acrescida da que aí vem, ou como é que pais massacrados pelo desemprego vão, em cima de tudo isto e das despesas tremendas que o ensino (mesmo o público) já acarreta... conseguir pagar um sistema de ensino que, note-se!, é obrigatório?

Será que numa possível segunda fase a medida irá chegar aos milhares de crianças do ensino básico que hoje já só têm pequeno almoço se as escolas o oferecerem? Será que vai aparecer um secretário de estado de uma bosta qualquer a dizer que “se afinal comem o pequeno almoço oferecido pela escola, então os pais já pouparam para as propinas”... ou qualquer outra justificação equiparada?

Tanto já foi dito e escrito sobre os cenários de mais austeridade e verdadeiro fascismo económico, apontados pelo parasita, que me fica apenas uma pergunta, ainda que bastante ociosa, já que trás em si a resposta óbvia:

Será que este primeiro-ministro é apenas um atrasado mental... ou é, antes pelo contrário, um lacaio/bandido/criminoso, consciente e pressurosamente ao serviço de interesses do grande capital nacional e estrangeiro, que quer ver Portugal terraplanado e com os direitos sociais e laborais arrasados... pra depois, sobre as ruínas, fazer a famosa “Refundação do Estado”, no que seria então um país habitado por velhos no limiar da miséria, pelos trabalhadores que ficaram cá, derrotados, dóceis e dispostos a tudo, servindo os interesses dos grandes grupos económicos... um país sem futuro, esvaziado dos milhares e milhares de jovens e trabalhadores qualificados que entretanto emigraram e ainda irão emigrar?

Ou acaso este «sem este desemprego não chegávamos lá», não quer dizer exactamente que o empobrecimento e a ruína do país não estão a ser uma consequência de uma política, antes estão a ser a própria, a principal, calculada e propositada política?

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