no tempo dele é que era bom

Aquilo é que foi uma coisa em cheio, assim a armar ao pingarelho. Carros alegóricos, muitas cavalos, muitos cavaleiros, muitos trajes de guerreiros, damas antigas, povos selvagens das Colónias, heróis do mar, nobre povo, e muito finório e tratante com o meliante reinante, o Dr. Salazar, sentado na tribuna de honra, de perninha cruzada para mostrar as botas engraxadas com desvelo pela Dona Maria logo a seguir às matinas. Sentado a seu lado, comovido até às lágrimas, um Cerejeira em flor. Foi o "Cortejo Histórico da Cidade de Lisboa", a 6 de Julho de 1947, e encheu Lisboa, da Avenida ao Rossio, de milhares de basbaques impantes ante as glórias da gesta lusa e ignorantes das desfeitas, tantas as que nos têm sido feitas pelos senhores da Nação. 

Vista que está a magnificência do acto, admirado que foi o espavento, ostentação ao estilo de Portugal dos Pequeninos, inspirado que fiquei por tanta beleza e demonstrações do mais elevado sentido patriótico, lembrei-me de sugerir ao Dr. Passos Coelho, discípulo do Dr. Salazar em curso ministrado post-mortem, que mande organizar desfile igual. Sob a direcção de Filipe de La Féria, com as técnicas de hoje e o dinheiro da troika, ah!, que bela seria a Liberdade e quem a tem chama-lhe sua. Coelho readquiriria, claro, a popularidade perdida. Querêmo-lo, pelo menos até aos 90 anos, a conduzir os destinos da Pátria. Somos felizes com pão e circo, se Salazar está enterrado, viva Salazar reencarnado.

Vá por mim, Dr. Coelho. Terá, na minha modesta pessoa, o seu melhor conselheiro de imagem.

Quanto é que paga? Posso contar com o salário mínimo? Acha que é muito? Regateemos.




























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