o adeus de um morto em vida


Sempre irrevogável, sempre escorregadio, sempre falso, sempre demagogo, sempre armado em educador do povo, um Arnaldo Matos de sinal contrário, lá veio Portas, o dos mercados e das peixeiras, dos velhos e dos agricultores, atirar mais uma vez cá para a fora, para as nossas fuças, que contorcemos num esgar de nojo, uma das suas frases de apuradíssimo sentido literário: "uns exportam, outros manifestam-se". (Como deve ter ficado ufano com mais esta amostra da sua vasta genialidade!)

O douto Portas, contudo, esqueceu-se daquele imenso magote que não exporta nem se manifesta, a grande maioria silenciosa de penitentes que levam e calam, tantos por medo, outros por desalento, outros por intoxicações de décadas, desinformação, deseducação, caciquismo, pequenos egoísmos, injustificados receios, mentiras e golpes de marketing.

Peça ao seu deus, se é que o tem, celeste ou terreno, que essas massas nunca acordem e se agigantem, que vivam para sempre amodorradas na sua apagada tristeza, amarradas a crendices e patranhas.

Porque, se um dia despertarem do marasmo em que as enterraram vivas, Portas será, a grande velocidade, exportado em contentor, para contento de todos nós despachado desta para melhor, para casa do diabo mais velho, para o diabo que o carregue, para os cemitérios do dinheiro, do poder, do pior da raça, da alma humanas.

Vá ele e os outros senhores com ele. Vivos ou mortos ou mortos-vivos, que venha o diabo e escolha.

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