acuso-o!

Por cada extorsão de que for vítima por parte do vergonhoso desgoverno de Passos Coelho, por cada golpe no seu bem-estar, na sua dignidade, só se pode culpar a si. É isso mesmo: acuso-o! Porque vocifera, e é se chega sequer a vociferar, mas nada faz. Porque vai à praia e não a manifestações que, já sei. já sei, não servem para nada. Porque não há alternativa, há que comer e calar. Porque eles têm a faca e o queijo na mão. Porque se vierem outros fazem igual ou pior. Porque receia mudanças, para mau já basta assim. Porque a culpa é do Sócrates. Porque a culpa é da Merkel. Porque a culpa é da troika. Porque andámos a viver acima das nossas possibilidades. Porque fomos ricos e não sabíamos. Porque tem medo de perder o emprego se se meter em protestos. Porque não tem tempo. Porque não tem pachorra. Porque está calor. Porque está frio. Porque está cansado. Porque sim. 

Quanto muito, refila no café, revolta-se na casa-de-banho, estrebucha no sofá, insulta no facebook. Mas, repito, no fundo nada faz. Nada. E enquanto nada fizer, enquanto nada fizermos, colectivamente, em massa, com o peso que nos dão a razão e o coração, o calamitoso desgoverno de Passos Coelho sente que tem o caminho livre para prolongar a infâmia e nos alongar o martírio.

Espere para ver: depois das eleições, o plano de assalto generalizado à população portuguesa irá intensificar-se. Por enquanto, calam-se como ratos que são. Se dizem "que se lixem as eleições" é por demagogia, é mentira, mais uma a juntar a tantas. Escondem-lhe os seus intentos para melhor o ludibriarem, para tentar que a derrota, porque derrota será, não seja tão desonrosa, tão devastadora que abra uma nova crise e ponha em causa, mais uma vez, a sobrevivência deste desumano desgoverno que, do seu assento a Belém, Cavaco paulatinamente apoia entre chuviscos de saliva e palavras ocas.

Se não houver um terramoto eleitoral que afaste de vez esta gente, um novo cataclismo irá abater-se sobre nós. Sobre si também, não pense que escapa.

Espere pela pancada. E não se queixe. Sobretudo, não se queixe. Cale-se. Não faça nada. Deixe que a crise passe e que alguém, por si, venha depois enterrar os mortos, cuidar dos doentes, alimentar os esfomeados, acalentar os desempregados e reerguer, para si, um país devastado pela miséria material e moral, minado pela desesperança, a revolta, a raiva.

Espere pela pancada.

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