menezes faz fitas


O Portas, já o disse há dias, quer Woody Allen a filmar em Portugal. Já estou a ver a Cate Blanchett a fazer de Maria Luís Albuquerque. Em bom. A Penélope Cruz a fazer de Teixeira da Cruz. Em muito bom. A Scarlett Johansson a fazer de Assunção Esteves. Em infinitamente melhor. O Alec Baldwin a fazer de Passos Coelho. Em versão humanizada. Jack Nicholson a fazer de Cavaco Silva, hesitante entre o registo de The Shining e o de Voando Sobre um Ninho de Cucos. Robert de Niro como representante da coligação FMI-Máfia em Portugal. Anthony Hopkins no papel de Rui Machete. Em versão "O Silêncio dos Inocentes". Jim Carrey calhava que nem ginjas no papel do Portas das mil caras e palavra nenhuma. Durão Barroso seria protagonizado pelo Danny DeVitto. E, finalmente, Glenn Close no papel de Merkel. Terrível que é nos papéis de mazona, engordava um bocado, ficava matrona e fazia de mandona.

Mas o enredo não acaba aqui. Lá ao fundo da sala, entre cortinados azuis, eis que acena um homem. Não se ouve o que ele diz. Aproximo-me. Está em bicos de pés. Acena com mais veemência ainda. Agora sim, já consigo ouvi-lo. Diz que o seu nome é Menezes, Luís Filipe às vezes. Diz que também quer o brinquedo, que o outro menino, o Paulinho, o anda a roubar. Que a ideia foi dele. Que já tinha ido à Campanhã convidar o Woody para fazer um filme. Na Ribeira. Um remake do Aniki Bobó. Menezes assim já não brinca. Menezes amua. Menezes faz fezes nas calças e chichi na cama. Menezes faz fitas. Menezes faz cenas tristes. Menezes quer o Bobó. Menezes quer o Allen. Menezes é allien. Menezes já não tem aliados. Nem vai ter a Foz, a Cantareira, o Cerco, a Pasteleira. O fim triste de um grande êxito de bilheteira. O crepúsculo de um deus.

Adeus.

Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

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