não há becos sem saída





Por Nuno Ramos de Almeida

Àqueles que dizem que este inferno é inevitável respondemos que não nos resignamos. Este país é nosso. Não seremos expulsos pela troika. Impensável é viver assim

No dia 22 de Setembro mais de 150 activistas de vários movimentos sociais reuniram-se em Lisboa para iniciarem o processo conjunto de uma manifestação em "construção". As pessoas presentes são diversas e com opiniões plurais, mas concordam que toda a gente tem o direito de decidir o seu futuro. Para elas a democracia é uma prática permanente de dar poder aos cidadãos. Como disse alguém na sala da reunião: "Queremos recuperar o direito a pensar no futuro."

Como se verificou ao longo da história são os povos e as sua manifestações que traçam o destino; aos tiranos de turno costuma estar reservado, nessas páginas, o pequeno lugar no armário em que costuma aterrar gente da estirpe de Miguel de Vasconcelos.

Cada um tem as suas razões para participar. Estas são as minhas e baseiam--se naquilo que penso sobre o nosso passado recente.

Depois de os governantes e os banqueiros terem arruinado Portugal num banquete de dividendos, lucros, parecerias público-privadas e swaps, garantem-nos que vivemos muito acima dos nossos recursos.

Somos na Europa um dos povos que mais horas trabalham por dia, menos dinheiro recebem de ordenado e com um dos maiores índices de desigualdade dos países da OCDE. Segundo os analistas nos garantem, vivemos todos muito acima das suas possibilidades.

A nossa pobreza não sustenta devidamente ricos, poderosos e corruptos. Por isso foi chamada a troika. Era preciso combater o monstro da dívida. Antes da crise, os do costume receberam milhões em dividendos, depois dela o povo foi chamado a pagar a conta de um banquete que não comeu. Dois anos depois do começo da aplicação do Memorando da troika as estatísticas confirmam-no: os ricos estão mais ricos mas ainda não estão satisfeitos. Mais de 250 mil, a grande maioria jovens, foram forçados ao exílio. Um milhão e quinhentas mil pessoas não têm trabalho. Roubam as reformas a quem trabalhou uma vida inteira e deixam aos mais velhos a escolha mensal de comerem ou comprarem remédios. Dizem-nos que tudo está a melhorar, basta prescindirmos do ensino e da saúde públicas, aceitarmos o esbulho das reformas e contentarmo-nos com muito menos que o salário mínimo e eles atingirão o paraíso. A receita deles é simples: cortar nas nossas vidas para salvar os seus privilégios.

O Orçamento do Estado que propõem é mais do mesmo roubo. Desta vez são 4700 milhões de euros que passam dos bolsos dos reformados e da população activa para as mãos dos agiotas e dos especuladores.

Nos dias 15 de Setembro e 2 de Março de 2013 tomámos as ruas das nossas cidades. Milhões saíram às ruas e fizeram tremer o governo da troika. Se formos muitos mais no dia 26 de Outubro nas ruas das cidades de norte a sul do país, podemos fazê-los cair.

Àqueles que dizem que o inferno em que vivemos é inevitável respondemos que não nos resignamos. Este país é nosso. Não seremos expulsos pela troika. Impensável é viver assim. Temos o poder e a vontade de exigir um país justo. Esta força que temos nos braços vai transformar Portugal e mudar as nossas vidas. Levamos um mundo novo nos corações, um mundo que está a crescer neste preciso instante, como prova o facto de estarmos aqui a falar. No dia 26 de Outubro é este mundo que está nas ruas.

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