palhaços e bodo aos pobres

Hoje deu-me para a quadrilhice. Vadiei pelos sites dos candidatos PSD/CDS às câmaras da Amadora, Lisboa e Sintra. Podia ter ido aos sites de outros partidos, que isto de arrotar promessas e vomitar mentiras não é apanágio de alguns, toca a todos embora, valha a verdade, mais a uns do que a outros.

E o que vi, damas e cavalheiros, meninas e meninos, deu-me ganas de emalar a trouxa, se fosse trouxa, e zarpar para Sintra, para a Amadora, para Lisboa, não tarda nada autênticos paraísos neste Portugal de infernal vivência.

Pois é, daqui a uns meses, nem tantos quanto isso, tanto Lisboa, como Amadora, como Sintra, mas pode ser também o Porto de Menezes ou a Gaia do Amorim, vão proporcionar-nos, nem caibo em mim de contente, tantas dádivas, tantas benesses, tantos lucros abençoados que os meus olhos ainda estão esbugalhados e a carteira, essa, ficou com frémitos, palpitações, à beira do tranglomango. A saber, e isto é só, do bodo aos pobres, menos de metade:  livros escolares à borla, IMI à taxa mínima, água ao preço da chuva, medicamentos mais baratos e mais apoio domiciliário para os idosos, mais centros de saúde, mais unidades de cuidados continuados, mais creches e jardins de infância, melhores refeições nas escolas, estacionamento gratuito, mais transportes públicos, passes sociais ao custo da uva-mijona e até - tcham! tcham! tcham! tcham! - uma feira popular e um aeroporto.

Com isto tudo, não sei para onde é que me hei-de mudar. Se para Lisboa, se para a Amadora ou Sintra. Acho que vou para Sintra. É lá que vai ficar a Feira Popular. Para já, para já, já lá está montado o estaminé do bufarinheiro Pinto, um ás a aviar copos de três e, lata não lhe falta, latinhas de banha-da-cobra.

Palhaços de boca escancarada, a palrear promessas, trombeteiam benfeitorias por esse país fora, de feira em feira, de romaria em romaria, de arruada em arruada, de tenda em tenda. Dos milagres serão certamente, só os santos apregoam assim. E o dinheiro, qual maná, está-nos a cair dos céus aos borbotões, num dilúvio de farturas, entre nuvens e trovões.

Agora, para que o santuário se erga altaneiro, falta dar um chuto no cu do garganeiro de gasganetes canoros, o Pedro, o Mamede, o Passos, o Coelhinho Cantor. Força nisso!

Aviso à navegação: o autor afirma, para o que der e vier, que o epíteto "palhaço" de forma alguma é extensivo a Sua Excelência o Sr. Presidente da República a quem distingo, sempre, com as mais calorosas manifestações de respeito, admiração e, porque não dizê-lo?, incomensurável carinho.

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