vidas em jogo


As equipas laranja e azul fazem tudo para ganhar. Driblam, pontapeiam, empurram, puxam, fazem chicuelinas com os pés como touros enlouquecidos, metem os pés pelas mãos e aos mãos pelos pés, saracoteiam-se pelos relvados como rameiras de pensão escusa, enganam adeptos e adversários, marcam golos sem brio nem brilho. Os rosas são fracos, enfiam golos na própria baliza, mas há quem torça por eles e antes isso do que pior. E ainda há duas equipas vermelhas que, com alguns erros de táctica, têm esperança de ganhos parciais, num ou noutro jogo, mas nunca no campeonato inteiro. Os prosélitos de uns e de outros torcem-se, contorcem-se, retorcem-se e lá vão indo, uns ao engano, outros ao engodo, outros com fé que as classificações mudem, que os últimos passem a primeiros, a imensa multidão dos desamparados, os que berram insultos ao árbrito e impropérios ao treinador. Um dia será. Um dia o jogo muda. Se os laranjas e os azuis perderem o campeonato. Se os rosas mudarem de capitão de equipa e de equipamento. A cor rosa não lhes assenta bem.

E isto é tudo o que posso dizer em dia de eufemismos: que ganhe Portugal. São as nossas vidas que estão em jogo.

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